sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Uso de obras literárias na Redação

O uso de obras literárias na redação é de extrema importância para a argumentação da redação. O processo de contextualização aprofunda e facilita a escrita. 

O que o candidato deve fazer é comparar alguma característica da obra à temática do Enem. Abaixo, algumas obras que podem ajudar na redação.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos

O livro possui 13 capítulos que, por não terem uma linearidade temporal, podem ser lidos em qualquer ordem. Porém, o primeiro, "Mudança", e o último, "Fuga", devem ser lidos nessa sequência, pois apresentam uma ligação que fecha um ciclo. "Mudança" narra as agruras da família sertaneja na caminhada impiedosa pela aridez da caatinga, enquanto que em "Fuga" os retirantes partem da fazenda para uma nova busca por condições mais favoráveis de vida. Assim, pode-se dizer que a miséria em que as personagens vivem em Vidas Secas representa um ciclo. Quando menos se espera, a situação se agrada e a família é obrigada a se mudar novamente.


Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, não é um homem com o dom das palavras, e chega a ver a si próprio como um animal às vezes. Empregado em uma fazenda, pensa na brutalidade com que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que algumas pessoas possuem com a palavra, mas assim como as palavras e as ideias o seduziam, também cansavam-no.



Sem conseguir se comunicar direito com as pessoas, entra em apuros em um bar com um soldado, que o desafiaram para um jogo de apostas. Irritado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro aguenta tudo calado, pois não conseguia se defender. Até que por fim acaba insultando a mãe do soldado e indo preso. Na cadeia pensa na família, em como acabou naquela situação e acaba perdendo a cabeça, gritando com todos e pensando na família como um peso a carregar.



Sinha Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu trabalho também. Esperta, sabia fazer contas e sempre avisava ao marido sobre os trapaceiros que tentavam tirar vantagem da falta de conhecimento de Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus filhos e não se conformava com a miséria em que viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de couro para dormir.



Nesse cenário de miséria e sem se darem muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os dois meninos. O mais novo via na figura do pai um exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as palavras. Um dia ouviu a palavra "inferno" de alguém e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, só consegue buscar consolo na cadela Baleia.



Um dia a chuva chega (o "inverno") e ficam todos em casa ouvindo as histórias de Fabiano. Histórias essas que ele nunca tinha vivido, feitos que ele nunca havia realizado. Em meio a suas histórias inventadas, Fabiano pensava se as coisas iriam melhorar dali então. Para o filho mais novo, as sombras projetadas pela fogueira no escuro deixava o pai com um ar grotesco. Já o mais velho ouvia as histórias de Fabiano com muita desconfiança.



O Natal chegou e a família inteira foi à festa da cidade. Fabiano ficou embriagado e se sentia muito valente, só pensando em se vingar do soldado que lhe colocou atrás das grades. Uma hora, cansado de seu próprio teatro, faz de suas roupas um travesseiro e dorme no chão. Sinha Vitória estava cansada de cuidar do marido embriagado e ter que olhar as crianças também. Em um dado momento, ela toma coragem para fazer o que mais estava com vontade: encontra um cantinho e se abaixa para urinar. Satisfeita, acende uma piteira de barro e fica a sonhar com a cama de fitas de couro e um futuro melhor.



No que talvez seja o momento mais famoso do livro, Fabiano vê o estado em que se encontrava Baleia, com pelos caídos e feridas na boca, e achou que ela pudesse estar doente. O vaqueiro resolve, então, sacrificar a cadela. Sinhá Vitória recolhe os filhos, que protestavam contra o sacrifício do pobre animal, mas não havia outra escolha. O primeiro tiro acerta o traseiro de Baleia e a deixa com as patas inutilizadas. A cadela sentia o fim próximo e chega a querer morder Fabiano. Apesar da raiva que sentia de Fabiano, o via como um companheiro de muito tempo. Em meio ao nevoeiro e da visão de uma espécie de paraíso dos cachorros, onde ela poderia caçar preás à vontade, Baleia morre sentindo dor e arrepios. 



E assim a vida vai passando para essa família sofredora do sertão nordestino. Até que um dia, com o céu extremamente azul e nenhuma nuvem à vista, vendo os animais em estado de miséria, Fabiano decide que a hora de partir novamente havia chegado. Partiram de madrugada largando tudo como haviam encontrado. A cadela Baleia era uma imagem constante nos pensamentos confusos de Fabiano. Sinhá Vitória tentava puxar conversa com o marido durante a caminhada e os dois seguiam fazendo planos para o futuro e pensando se existiria um destino melhor para seus filhos. 



Lista de Personagens
Baleia: cadela que é tratada como membro da família. Pensa, sonha e age como se fosse gente.
Sinhá Vitória: mulher de Fabiano. Mãe de 2 filhos, é batalhadora e inconformada com a miséria em que vivem. É esperta e sabe fazer conta, sempre prevenindo o marido sobre trapaceiros.
Fabiano: vaqueiro rude e sem instrução, não tem a capacidade de se comunicar bem e lamenta viver como um bicho, sem ter frequentado a escola. Ora reconhece-se como um homem e sente orgulho de viver perante às adversidades do nordeste, ora se reconhece como um animal. Sempre a procura de emprego, bebe muito e perde dinheiro no jogo.
Filhos: o mais novo admira a figura do pai vaqueiro, integrado à terra em que vivem. Já o mais velho não tem interesse nessa vida sofrida do sertão e quer descobrir o sentido das palavras, recorrendo mais à mãe. 
Patrão: fazendeiro desonesto que explorava seus empregados, contrata Fabiano para trabalhar.
Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/estudar/literatura/vidas-secas-resumo-obra-graciliano-ramos-702011.shtml

Título: A Hora da Estrela
Autor: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Número de páginas: 87
Classificação: ★★★★★
Sinopse: A nordestina Macabéa, a protagonista de A Hora da Estrela, é uma mulher miserável que mal tem consciência de existir. Depois de perder seu único elo com o mundo, uma velha tia, ela viaja para o Rio, onde aluga um quarto, se emprega como datilógrafa e gasta suas horas ouvindo a Rádio Relógio. Apaixona-se, então, por Olímpio de Jesus, um metalúrgico nordestino, que logo a trai com uma colega de trabalho. Desesperada, Macabéa consulta uma cartomante, que lhe prevê um futuro luminoso, bem diferente do que a espera.

– Resenha –

Clarice Lispector e seu jeito todo especial e próprio de escrever neste livro nos leva a refletir sobre um aspecto singular da vida social: o desamparo. O sentimento de abandono, perdição, solidão em meio a um mundo extremamente populoso.
   Neste livro repleto de questões não respondidas e reflexões profundas acerca da vida de cada um e da vida de todos como um só, Clarice fala através de Rodrigo S. M., seu alter ego masculino criado para disfarçar sua sensibilidade feminina, porém sem sucesso.
   Ele inicia se apresentando como o contador dessa história. Em seu começo extremamente metalinguístico, ou seja, o livro falando do próprio livro, ele desfia os motivos que o levaram a explorar o mundo da Nordestina Macabéa. O seu modo de escrever também é uma preocupação contínua, pois pela simplicidade da história a ser contada é exigida grande destreza e precisão nas palavras.
   Acontece que nossa personagem principal é tão insignificante para a sociedade que sua história devia ser contada, e se não por ele, por qualquer outro escritor que se atrevesse a penetrar uma vida tão vazia de significado e sair dela são a ponto de transmitir tudo que viu.
   A história é fluida, não se divide em capítulos, assim como na vida real. E atravessa passado, presente e futuro de um parágrafo a outro, sem cerimônia ou aviso algum.
   Macabéa já nascera miserável em meio ao sertão de Alagoas e logo pequena perde os pais. Vai viver com a tia em Maceió e a beata lhe cria na simplicidade pura, como uma planta que só se lembra de aguar duas vezes ao dia. Já os castigos, esses eram frequentes. Um começo de vida difícil para esta sombra da sociedade, nenhuma perspectiva de futuro, a desajeitada nordestina não tinha ideia nem da própria existência e se desculpava como quem ocupa um espaço indevido nesse mundo.  
   Uma das poucas coisas que lhe agradava era ouvir a Rádio Relógio, e sentava à mesa para ouvir todas as noites, bem baixinho para não acordar as colegas de quarto. Colecionava informações inúteis como se fossem ensinamentos raríssimos que lhe serviriam muito na vida futura. Acreditava em tudo que ouvia como verdades absolutas, mas pouco entendia daquilo que ouvia.
   Um dia Macabéa encontra seu primeiro amor, o metalúrgico Olímpico de Jesus, que lhe trata sem nenhum tato, mas logo ganha seu coração sofrido. Nenhum pingo de ternura, o homem era bruto que só e se achava muito superior à coitada. Acabou por deixá-la pela colega voluptuosa com sangue do sul que lhe pareceu capaz de parir bons filhos.
   Acabou-se a pouca alegria da pobre nordestina. Pouco depois ainda descobre sofrer de tuberculose pulmonar, mas não conta a ninguém. Não há para quem contar, na verdade, pois procura esconder até de si mesma.
   Em última tentativa de compreender a si própria, vai procurar a cartomante indicada pela colega que lhe roubou o namorado. Muito bem acolhida, a cartomante a faz acreditar que finalmente terá um destino e este é bem melhor do que qualquer coisa que poderia esperar. Uma vez na vida experimenta esperança e sai da casinha embriagada de futuro. Futuro este que termina ao atravessar a rua.
   A Hora da Estrela é apenas um poema até o fim de suas páginas. Seu sentido está em dar sentido àquilo que vagueia pelo breu de nossas mentes, lá no fundo, quase inacessível. Este livro lhe entrega centenas de questões, mas nenhuma resposta. Cabe a nós preencher as lacunas. Pois, a final, não devemos esquecer que “por enquanto é tempo de morangos”.

Livro 1984, de George Orwell


1984 denunciou as mazelas do totalitarismo e tornou-se um dos mais influentes romances do século 20. De modo profético, George Orwell abordou temas relevantes como a quebra da privacidade.

"Era um dia frio e luminoso de abril, e os relógios davam 13 horas." Assim começa um dos romances mais citados do século 20. A frase omite o ano da ação, mas isso seria redundante, pois ele dá nome à obra: 1984. Só a menção ao título desencadeia uma avalanche de associações mentais: comunismo, polícia política, nazifascimo, tortura... O livro ganhou fama por tratar de forma ficcional de uma das grandes mazelas contemporâneas, o totalitarismo.

No enredo que tem Londres como cenário (na fictícia Oceânia) -, tudo gira em torno do Grande Irmão. "Quarenta e cinco anos, de bigodão preto e feições rudemente agradáveis", o Big Brother é o líder máximo. Assumiu o poder depois de uma guerra de escala global (análoga à Segunda Guerra, porém com mais explosões atômicas), que eliminou as nações e criou três grandes estados transcontinentais totalitários. A Oceânia reúne a ex-Inglaterra, as ex-Américas, ex-Austrália e Nova Zelândia e parte da África. É um mundo sombrio e opressivo. Cartazes espalhados pelas ruas mostram a figura bisonha da autoridade suprema e o slogan: "O Grande Irmão está de olho em você". E está mesmo, literalmente, graças às "teletelas". Espalhadas nos lugares públicos e nos recantos mais íntimos dos lares, elas são uma espécie de televisor capaz de monitorar, gravar e espionar a população, como um espelho duplo. A intimidade era tão devassada ali quanto na casa do Projac que sediou a última edição do Big Brother Brasil.
O protagonista é Winston Smith. Funcionário do Departamento de Documentação do Ministério da Verdade, um dos quatro ministérios que governam Oceânia, sua função é falsificar registros históricos, a fim de moldar o passado à luz dos interesses do presente tirânico (prática, aliás, comum na União Soviética). A opressão era física e mental. A Polícia das Ideias atuava como uma ferrenha patrulha do pensamento. Relações amorosas estavam entre as muitas proibições. Nesse cenário de submissão onde não há mais leis, mas sim inúmeras regras determinadas pelo Partido, ninguém nunca viu o Grande Irmão em pessoa. Uma sacada genial do autor: o tirano mais amedrontador é também aquele mais abstrato. Winston detesta o sistema, porém evita desafiá-lo além das páginas de seu diário. Isso muda quando se apaixona por Júlia, funcionária do Departamento de Ficção. O sentimento transgressor o faz acreditar que uma rebelião é possível. Mas combater o regime não é nada fácil. Enredada numa trama política, a "reeducação" dos amantes será brutal.
Raros escritores tiveram o privilégio de virar adjetivo. George Orwell (um pseudônimo) foi um deles. Seu nome de batismo, na Igreja Anglicana, é Eric Arthur Blair. Se Marcel Proust deu origem a "proustiano", por causa das ricas descrições memorialistas, o termo "orwelliano" virou sinônimo dos vívidos e sinistros porões do totalitarismo. Não que, como romancista, ele seja comparável a James Joyce, Franz Kafka ou Proust. Os críticos costumam ser mais positivos sobre seus ensaios. Ainda assim não são unânimes. O grande legado de Orwell é mesmo sua lucidez política.
Nascido na Índia, em 1903, filho de um funcionário colonial inglês, ele nunca levou vida fácil. Cursou uma escola da elite (Eton). Em vez de seguir o caminho seguro (matricular-se numa universidade chique como Oxford), entrou para a Polícia Imperial da Índia. Lá conheceu de perto a truculência do Império Britânico no esforço de controlar os nativos. Orwell tinha tudo para ser promovido, mas, escandalizado, largou a farda e foi levar uma vida boêmia em Paris e Londres. Nessa época, beirou a mendicância. Em 1936, viajou para a Espanha para lutar contra o franquismo, na Guerra Civil. Foi ferido no pescoço e dali em diante só conseguiria falar em tom baixo. Dizia ser um socialista democrático. Já um amigo, o escritor Malcolm Muggeridge, o definiu como "um sujeito que é fácil de a gente amar, mas difícil de ter por perto". Uma de suas marcas pessoais era um rígido senso de justiça e de busca da verdade. Alguns o admiravam por isso. Outros o viam como um grande chato. O certo é que essa característica o ajudou a se desencantar das utopias políticas, inclusive a soviética, impiedosamente atacada também em A Revolução dos Bichos (1945). "A aceitação de qualquer disciplina política parece ser incompatível com a integridade literária", afirmou, inconformado com a subserviência dos intelectuais aos regimes de direita ou de esquerda.
Poucos descreveram tão bem a tortura política. Nas páginas de 1984, O’Brien, um figurão do Partido, usa um método especialmente cruel: o flagelo com ratos. "Eles saltarão sobre seu rosto e começarão a devorá-lo. Às vezes atacam primeiro os olhos. Às vezes abrem caminho pelas bochechas e devoram a língua", diz a Winston.
Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/saiba-mais-livro-1984-george-orwell-678177.shtml
Resumo:
O mais famoso romance de George Orwell relata uma história que se passa no "futuro", ano de 1984, na Inglaterra e a transformação da realidade é o tema principal desta obra. Disfarçada de democracia, a Oceania vive um totalitarismo desde que o IngSoc (o Partido) chegou ao poder sob a regência do onipresente Grande Irmão (Big Brother).
O livro conta a história de Winston Smith, membro do partido externo, funcionário do Ministério da Verdade. A função dele era a de reescrever e alterar dados de acordo com o interesse do Partido. Se alguém pensasse diferente, cometia crimidéia (crime de idéia em novilíngua) e fatalmente seria capturado pela Polícia do Pensamento e era vaporizado. Desaparecia.
Smith representa o cidadão comum vigiado pelas teletelas e pelas diretrizes do Partido. Ele e todos os cidadãos sabiam que qualquer atitude suspeita poderia significar o fim. Os vizinhos e os próprios filhos eram incentivados a denunciar à Polícia do Pensamento quem cometesse crimidéia. Algo estava errado e para verbalizar seus sentimentos, atualizava seu diário usando o canto "cego" do apartamento. A primeira frase que escreve é: Abaixo o Big Brother!
A vida de repressão e medo nem sempre fora assim na Oceania. Antes da Terceira Guerra e do Partido chegar ao poder, ele desfrutava uma vida normal com os seus pais.
Ele tinha esperança na prole. Recorda-se dos "Dois minutos de ódio", parte do dia em que todos os membros do partido se reúnem para ver propaganda enaltecendo as conquistas do Grande Irmão e, principalmente, direcionar o ódio contido contra os inimigos. Separou-se de sua esposa devido à sua devoção ao Partido. Ela seguia a determinação de que o sexo deveria ser apenas para procriação de novos cidadãos. O sexo como prazer era crime.
A mentira do Partido era a prova que Winston procurava para si. Havia algo podre na Oceania. Revoltado, escreve no seu diário que liberdade é poder escrever que dois mais dois são quatro. Não era bem-visto que membros do Partido freqüentassem o bairro proletário. Ao voltar ao antiquário, o proprietário tem uma surpresa para o curioso por antiguidades. Ao sair do antiquário, vê uma mulher que simula uma dor para desviar a atenção das teletelas e lhe passa um bilhete escrito: "Eu te amo".
As normas do Partido deixavam claro que membros do Partido, principalmente dos sexos opostos, não deveriam se comunicar a não ser a respeito de trabalho. Júlia confessa-lhe que se "apaixonava" com facilidade e, para continuar seu romance com ela, aluga um quarto do antiquário.
Passou a acreditar que Júlia seria uma ótima companheira de guerra. Por enquanto, era a pessoa com quem podia compartilhar seus sentimentos. Apaixonado, ele recupera peso e saúde. Enquanto isso, o partido organizava a "A Semana do Ódio" e algumas pessoas desapareciam. Certo dia, O'Brien, um membro do Partido Interno, percebe também que Winston era diferente dos outros e convida-o, para despistar as teletelas, a ir ao seu apartamento ver a nova edição do dicionário de novilíngua. Júlia foi com ele. Smith confessa seu desejo de conspirar contra o Partido, pois acreditava na existência da Fraternidade e para tal suas esperanças estavam depositadas em O'Brien. Ele "devora” o livro de Goldstein, enquanto Júlia não demonstra o mesmo interesse. Guardas entram no quarto e Winston vai para uma cela no Ministério do Amor. Até as celas tinham teletelas que vigiavam cada passo dele doente e faminto. O'Brien torna-se o seu torturador.
Torturado e drogado, começa a aceitar o mundo que lhe é imposto e passa ao estágio seguinte de adaptação que consiste em aprender, entender e aceitar. Como Winston tem pavor de roedores, o Quarto 101 é um inferno personalizado e os torturadores colocaram uma máscara em seu rosto com uma abertura para uma gaiola cheia de ratos famintos, separada apenas por uma portinhola. A única forma de escapar era renegar o perigo maior ao Partido, o amor a outra pessoa acima do Grande Irmão. Ao fundo, seu rosto aparece na teletela confessando vários crimes. Ele foi solto e teve sua posição rebaixada para um trabalho ordinário num sub-comitê. Júlia escapa também do Quarto 101. O Partido os separou e os dois só voltaram a se encontrar ocasionalmente. Já não eram mais as mesmas pessoas. Tinham "crescido" e se traído. Winston sorri, já está completamente adaptado ao mundo. Finalmente ele ama o Grande Irmão.
Fonte: http://chavemestramidiaepoder.blogspot.com.br/2006/12/resumo-do-livro-1984-de-george-orwell.html

domingo, 18 de setembro de 2016

Pronomes

Pronomes são palavras que substituem ou determinam os substantivos. Existem vários tipos de pronomes: pronomes pessoais, pronomes possessivos, pronomes demonstrativos, pronomes interrogativos, pronomes relativos e pronomes indefinidos. Além desta classificação principal, os pronomes também podem ser classificados em pronomes adjetivos e pronomes substantivos.

Pronomes pessoais

Os pronomes pessoais subdividem-se em pronomes pessoais do caso reto, pronomes pessoais oblíquos e pronomes pessoais de tratamento.
Pronomes pessoais do caso reto são aqueles que substituem os substantivos e indicam as pessoas do discurso, assumindo maioritariamente a função de sujeito da oração.
  • Eu fui ao cinema.
  • Ele gosta de futebol.
Exemplos de pronomes pessoais do caso reto: eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas.
Pronomes pessoais oblíquos podem ser tônicos ou átonos. Quando tônicos, são sempre precedidos de uma preposição e substituem um substantivo que tem função de objeto indireto. Quando átonos, não são precedidos de uma preposição e podem substituir um substantivo que tem função de objeto direto ou de objeto indireto.
  • Pedro gosto de mim.
  • Eu encontrei-o na praia.
Exemplos de pronomes pessoais oblíquos tônicos: mim, comigo, ti, contigo, ele, ela, nós, conosco, vós, convosco, eles, elas.
Exemplos de pronomes pessoais oblíquos átonos: me, te, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes.
Pronomes de tratamento são formas mais corteses e reverentes de nos dirigirmos à pessoa com quem estamos falando ou de quem estamos falando.
  • Vossa Excelência estará presente na cerimônia de abertura?
  • Sua Eminência estará presente no conclave?
Exemplos de pronomes de tratamento: você, senhor, senhora, senhorita, Vossa Senhoria, Vossa Excelência, Vossa Eminência, Vossa Santidade, Vossa Reverendíssima, Vossa Alteza, Vossa Majestade, Vossa Magnificência, Vossa Paternidade, Vossa Majestade Imperial, Vossa Onipotência

Pronomes possessivos

Pronomes possessivos transmitem, principalmente, uma relação de posse, ou seja, indicam que alguma coisa pertence a uma das pessoas do discurso.
  • Não sei onde pus minhas chaves.
  • Você pode me emprestar sua caneta, por favor?
Exemplos de pronomes possessivos: meu, minha, meus, minhas, teu, tua, teus, tuas, seu, sua, seus, suas, nosso, nossa, nossos, nossas, vosso, vossa, vossos, vossas, seu, sua, seus, suas.

Pronomes demonstrativos

Pronomes demonstrativos situam alguém ou alguma coisa no tempo, no espaço e no discurso, em relação às próprias pessoas do discurso: quem fala, com quem se fala, de quem se fala. Estes pronomes contraem-se com as preposições a, em e de.
  • De quem é aquela mochila?
  • Veja esta reportagem.
Exemplos de pronomes demonstrativos: este, esta, estes, estas, isto, esse, essa, esses, essas, isso, aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo.

Exemplos de outras palavras que atuam como pronomes demonstrativos: o, a, os, as, mesmo, mesma, mesmos, mesmas, próprio, própria, próprios, próprias, tal, tais, semelhante, semelhantes.

Pronomes interrogativos

Pronomes interrogativos referem-se sempre à 3.ª pessoa gramatical e são utilizados para interrogar, ou seja, para formular perguntas de modo direto ou indireto.
  • Quem chegou?
  • Diga-me, por favor, que horas são.
Exemplos de pronomes interrogativos: que, quem, qual, quais, quanto, quanta, quantos, quantas.

Pronomes relativos

Pronomes relativos relacionam-se sempre com o termo da oração que está antecedente ao mesmo, servindo de elo de subordinação das orações que iniciam.
  • Eu comprei o vestido azul que estava na vitrine.
  • A casa onde cresci era enorme.
Exemplos de pronomes relativos: que, quem, onde, o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cuja, cujos, cujas, quanto, quanta, quantos, quantas.

Pronomes indefinidos

Pronomes indefinidos se referem sempre à 3.ª pessoa gramatical, indicando que algo ou alguém é considerado de forma indeterminada e imprecisa.
  • Foi apresentada alguma justificativa para o atraso na entrega da mercadoria?
  • Ninguém se quer responsabilizar por esta tarefa.
Exemplos de pronomes indefinidos: alguém, ninguém, outrem, tudo, nada, cada, algo, algum, algumas, nenhuns, nenhuma, todo, todos, outra, outras, muito, muita, pouco, poucos, certo, certa, vários, várias, tanto, tantos, quanta, quantas, qualquer, quaisquer, bastante, bastantes.

Pronomes adjetivos

Pronomes adjetivos acompanham os substantivos, como se fossem adjetivos, determinando e modificando o substantivo.
  • Minha irmã é bióloga.
  • Aqueles alunos são indisciplinados. Fonte: http://www.normaculta.com.br/tipos-de-pronomes/

Conjunções Coordenadas


A conjunção é a palavra que liga duas orações ou termos de mesma função na oração. Quando a conjunção exerce seu papel de ligar as orações, estabelece entre elas uma relação de coordenação ou subordinação.

As orações coordenadas são independentes entre si, ou seja, possuem significado singular, mesmo que ligadas pela conjunção. Veja o exemplo:

A lua surgiu e as estrelas inundaram o céu de luz.


As duas orações estão ligadas pela conjunção e e não têm relação de dependência entre si. Então, a primeira oração (A lua surgiu) tem sentido completo e independe da segunda (As estrelas inundaram o céu de luz) para tê-lo; e assim também é a segunda em relação à primeira.
Duas ou mais orações que
mantêm independência entre si chamam-se coordenadas
, e consequentemente, a conjunção que liga tais orações é denominada conjunção coordenativa.
A conjunção coordenativa também ocorre quando duas palavras são ligadas na mesma oração. Veja o exemplo:

Ele venderá brinquedos ou revistas.

Observe que a conjunção ou está ligando duas palavras: brinquedos e revistas, as quais exercem o mesmo papel de objeto direto na oração.

Podemos classificar as conjunções coordenativas em:

aditivas - exprimem ideia de adição, soma: e, não só, mas também, nem (= e não) etc.;
Exemplos: Fui à escola e joguei bola.
Não fui à escola nem joguei bola.

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adversativas – exprimem ideia de contraste, oposição: mas, porém, contudo, no entanto, entretanto, etc.;
Exemplos: Fui à escola, porém não levei meu caderno.
Fui à escola, no entanto, não prestei atenção nas explicações.

Resultado de imagem para coordenada adversativa

alternativas – exprimem ideia de alternância ou exclusão: ou, ou...ou, ora...ora, etc.;
Exemplos: Ou estudo para a prova, ou tiro nota baixa.
Ora como fastfood, ora me alimento bem.

Resultado de imagem para conjunção alternativa ou

conclusivas exprimem ideia de conclusão: pois, logo, portanto, por isso, etc.;
Exemplos: Pratiquei exercícios físicos, por isso me senti muito melhor.
Aquele medicamento é tarja preta, logo, deve ser vendido somente com receita.

explicativas – exprimem ideia de explicação: porque, que, etc..
Exemplos: Ele deve ter saído da escola, pois não veio mais.
Não quero mais comer, porque estou satisfeito.
Fonte: Brasil Escola adaptado.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

PROPOSTAS DE PRODUÇÃO TEXTUAL

PROPOSTA 1

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema:

Fomos dominados pelas máquinas que inventamos?

Não se esqueça de apresentar uma proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos em defesa de seu ponto de vista.

TEXTO 1

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Fonte: Google Imagens.

Já não conseguimos viver sem celular, notebook, tablet, internet e outros poderosos recursos tecnológicos. Queiramos ou não, eles transformaram o mundo durante o século 20 e ingressaram no século 21 com uma velocidade espantosa. Muita gente se adapta rapidamente às novidades e nem lembra como era a vida sem elas. Para outros, porém, ocorre uma dúvida: nossa existência seria melhor ou pior sem tudo isso? Seríamos diferentes? Há quem odeie e quem ame irrestritamente essas máquinas. Qual é nossa relação com os avanços da tecnologia?
Fonte: Folha Uol.

TEXTO 2

Os sábios e a cultura 
"Com o aparecimento da escrita, alguns sábios temeram que o conhecimento, que antes estava vivo na cabeça, viria a morrer, esquecido nas páginas de um livro. Com a expansão dos meios de comunicação e a consequente chuva de informações, alguns sábios temeram que o conhecimento (...) viria a degenerar-se em papel de embrulhar peixe e ondas espalhadas no espaço. Com a explosão da internet (...), e a extrema facilidade de encontrar uma informação, alguns sábios temem que tudo acabe em desinteresse. 
Luiz Zico Rocha Soares, ("Internet, um mundo paralelo". Melhoramentos, 2007, p.23)

TEXTO 3

Dependente do celular? Cuidado! Até recentemente falava-se que a quase obsessão de se ter um celular - e se ter um modelo de celular cada vez mais moderno - era a ostentação dele como símbolo de status pessoal. Agora, é isso e algo mais. E pior. É só darmos uma volta pelas ruas das cidades e observarmos a enorme quantidade de pessoas que se vê, a todo instante, com o telefone celular grudado na orelha. O que tanto essa gente tem para falar? Pesquisas já mostram que grande parte da utilização do celular é desnecessária e configura uma espécie de dependência. Uma revista de circulação nacional inclusive já perguntou, baseado em estatísticas: o celular é o novo cigarro? Outro aspecto, esse ainda mais preocupante é que usar celular em demasia pode causar câncer no cérebro, além dessa dependência propriamente dita. É o que afirma o Instituto do Câncer da Universidade de Pittsburgh, em estudo publicado pela revista “Scientific American”. Assinado por 30 especialistas, ele traz, entre outras recomendações, que se deve manter o celular longe do corpo quando guardado e usar o viva-voz sempre que possível. Sobre a dependência do aparelho, já existem institutos que tratam adolescentes da dependência do celular. Por isso tudo, faça uso dele da mesma forma que a propaganda fala da bebida alcoólica: com moderação.Retirado de http://www.gazetadelimeira.com.br/Noticia.asp?ID=8312
Proposta de redação adaptada da fonte original Colégio Planeta.

PROPOSTA 2

A partir da leitura dos textos motivadores seguintes e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: Democratização Da Informação no Brasil: Existe, de fato, liberdade de informação? Apresente proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

Texto 1
O mito do progresso 

Fonte: Google imagens.

Costumamos pensar que os meios de comunicação são essenciais à democracia, mas, atualmente eles geram problemas ao próprio sistema democrático, pois não funcionam de maneira satisfatória para os cidadãos. Isso porque, por um lado, se põem a serviço dos interesses de grupos que os controlam e, por outro, as transformações estruturais do jornalismo – tais como a chegada da internet e aceleração geral da informação – fazem que com os meios sejam cada vez menos fiáveis ou menos úteis à cidadania.(...) Os meios de comunicação, a imprensa escrita, o rádio, a televisão – refiro-me somente à informação, não ao entretenimento – todos esses segmentos estão vivendo uma grave crise com o advento da internet, com a multiplicação da informação individualizada, com o surgimento das atualizações em tempo real e de jornais online totalmente autônomos (...) (p. 53).
Nossa sociedade está funcionando de acordo com os parâmetros da mídia. Ao apostarmos numa democracia representativa, o principal poder é a opinião pública. É por isso que os agentes que operam na formação dessa opinião se tornaram o poder central de nossas democracias. Os meios de comunicação nasceram para garantir o acesso dos cidadãos às informações sobre acontecimentos, às propostas dos políticos, às ações de nossos governantes, às opiniões da oposição e dos movimentos sociais. A hipertrofia do modelo midiático, porém, transformou-se em interceptadores da informação, mais do quem em transmissores. (...) (p. 78 e 79). Fonte: Livro “Mídia, Poder e Contrapoder”. Autores: Moraes, Ramonet e Serrano.

Texto 2


O padrão de consumo de bens duráveis do brasileiros segue o ritmo das mudanças tecnológicas. De acordo com os dados do Censo 2010 divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE), o número de domicílios que possuem televisões e geladeiras superou aqueles que possuem rádio. Há 10 anos, o rádio era os aparelho doméstico mais presente nas casas dos brasileiros. (...) Segundo o IBGE, em 2000, 87,9% dos domicílios tinham um aparelho de rádio em casa, contra 87,2% de televisores e 83,4% de geladeiras. Já pelo Censo de 2010, os aparelhos de TV estão presentes em 95,1% das residências, as geladeiras subiram para 93,7% e os rádios caíram para 81,4%. (...). fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-04-27/ibge-pela-1-vez-domicilios-brasileiros-tem-maistv-e-geladeira-d.html - iG São Paulo | 27/04/2012 10:00:55, acesso em 16/05/16 


Texto 3


O Ministério Público Federal, por meio de suas sedes estaduais, promete desencadear ações contra 32 deputados federais e oito senadores que aparecem nos registros oficiais como sócios de emissoras de rádio ou TV pelo país. Entre os alvos da iniciativa inédita -lançada com aval do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e coautoria do Coletivo Intervozes-, estão alguns dos mais influentes políticos do país, como os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, Edison Lobão (PMDB-MA), José Agripino Maia (DEMRN), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE). (...) No Ministério das Comunicações, todos eles constam como sócios de emissoras. Baseado em dispositivo da Constituição que proíbe congressista de “firmar ou manter contrato com empresa concessionária de serviço público” (Art. 54), a Procuradoria pedirá suspensão das concessões e condenação que obrigue a União a licitar novamente o serviço e se abster de dar novas outorgas aos citados. fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/11/politicos-que-sao-donos-de-tv-e-radio-estao-namira-do-mpf.html, acesso em 16/05/16 

Texto 4

O acesso à internet em domicílios chegou a 85,6 milhões de brasileiros, o equivalente a 49,4% da população, segundo indica pesquisa divulgada pelo IBGE. Os dados são referentes a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2013. A pesquisa considerou o acesso de pessoas acima de 10 anos de idade que utilizaram a internet pelo menos uma vez em um período de 90 dias anteriores à realização das entrevistas. fonte: http://www.ebc.com.br/tecnologia/2015/04/acesso-internet-chega-494-da-populacao-brasileira - Criado em 29/04/15 10h00 e atualizado em 29/04/15 10h37. Acesso em 16/05/16. 


Texto 5

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.(...) 2º É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística. (...) 5º Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. (...) fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm, acesso em 16/5/16 

ORIENTAÇÕES PARA A ELABORAÇÃO DA REDAÇÃO: 
Receberá nota zero, em qualquer das situações expressas a seguir, a redação que: 
- Tiver até 7 (sete) linhas escritas, sendo considerada “insuficiente”;
- A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo;
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*Projeto Redação (Fonte da proposta - adaptada).