domingo, 14 de março de 2010

Dicas para se fazer uma boa redação (texto argumentativo)


Título

Não existe mais a dicotomia título frasal e oracional, o que importa mesmo é se o título é criativo e condiz com o assunto que é debatido no texto. Além disso, cuidado em copiar o tema, pois tema não é título, algumas instituições como a UFU (Universidade Federal de Uberlândia) ainda exigem que o título seja o que eles definirem, mas isto não é comum. Portanto, fique atento, porque o título é o espelho da redação.

Há ainda alguns itens a serem enfocados:

Uso de aspas – o título já é algo que está em evidência, por isso não se deve usar aspas no título inteiro, pois evidenciaria muito mais. Contudo, você pode utilizá-las em um dos termos do título, caso seja necessário;

Uso de ponto final – não pode utilizar o ponto final no título, porque o título é a abertura do texto, ao usar o ponto final, dá a entender que o texto terminou antes mesmo de começar. Entretanto, outros pontos podem ser utilizados, como a interrogação, a exclamação se necessário. Mas lembre-se, se perguntar no título, você deverá responder à pergunta ao longo da redação.

Introdução

Esta é a parte do texto que deve-se apresentar o problema, a tese principal. Exemplos: se o tema é “violência”, você deverá, obrigatoriamente, apresentar a problemática que envolve a violência e deixar claro qual será a perspectiva de sua argumentação, o ponto principal que você irá argumentar durante todo o texto. A introdução não deve ser muito longa, senão você vai acabar desenvolvendo já na introdução. Existem vários tipos de introdução:

Hipótese (hipo) tese - este tipo de introdução traz o ponto de vista a ser defendido, a tese que se pretende provar durante o desenvolvimento. Evidentemente a tese será retomada – e não copiada - na conclusão. Vejamos um exemplo para o mesmo tema: A questão da violência contra o menor tem origem na miséria - a principal responsável pela desagregação familiar.

Perguntas - esta introdução constitui-se de uma série de perguntas sobre o tema.
Exemplo: É possível imaginar o Brasil como um pais desenvolvido e com justiça social enquanto existir tanta violência contra o menor? O principal problema neste tipo de introdução é não responder, ou responder de forma ineficaz, as perguntas feitas. Além disso, por ser uma forma bastante simples de começar um texto, às vezes não consegue atrair suficientemente a atenção do leitor.

Histórica - esta introdução traça um rápido panorama histórico da questão, servindo muitas vezes de contraponto ao presente. Ex.: Às crianças nunca foi dada a importância devida. Em Canudos e em Palmares não foram poupadas. Na Candelária ou na praça da Sé continuam não sendo. Deve-se tomar o cuidado de se escolher fatos históricos conhecidos e significativos para o desenvolvimento que se pretende dar ao texto. Ela é importante também quando os textos da prova são de épocas diferentes, pois dá a entender ao candidato que o corretor quer o parâmetro de épocas diferentes em relação ao tema.

Compararão - por semelhança ou oposição - procura-se neste tipo de introdução mostrar como o tema, ou aspectos dele, se assemelham - ou se opõem - a outros. Ex.: É comum encontrar crianças de dez anos de idade vendendo balas nas esquinas brasileiras. Na França, nos EUA ou na Inglaterra - países desenvolvidos - nessa idade as crianças estão na escola e não submetidas a violência das ruas. É bastante importante que a comparação seja adequada e sirva a algum propósito bem claro - no caso, mostrar o subdesenvolvimento brasileiro na questão do menor.

Definição (conceito) - parte da definição do significado do tema, ou de uma parte dele. Ex.: Menor: o mais pequeno, de segundo plano, inferior, aquele que não atingiu a maioridade. O uso da palavra “menor” para se referir às crianças no Brasil já demonstra como são tratadas: em segundo plano. Vale perceber que há, muitas vezes, mais de uma maneira de se definir algo e, portanto a escolha da definição mais adequada dependera do ponto de vista a ser defendido.

Contestação - contesta uma idéia ou uma citação conhecida. Ex.: O Brasil é o país do futuro. A criança é o futuro do país. Ora, se a criança no Brasil passa fome, é submetida às mais diversas formas de violência física, não tem escola, nem saúde, como pode ser esse o pais do futuro? Ou será que a criança não é o futuro do país? Repare como esse tipo de introdução pode ser bastante atraente, uma vez que desfazer clichês atrai mais a atenção do que usá-los.

Estatística - consiste em se apresentar dados estatísticos relativos à questão a ser tratada. Ex.: Quarenta mil crianças morreram hoje no mundo, vítimas de doenças comuns combinadas com a desnutrição. Para cada criança que morreu hoje, muitas outras vivem com a saúde debilitada. Entre os sobreviventes, metade nunca colocará os pés em uma sala de aula. Isso não é uma catástrofe futura. Isso aconteceu ontem, está acontecendo hoje. E irá acontecer amanhã, exceto se o mundo decidir proteger suas crianças. Veja que o dado estatístico, muitas vezes, não diz nada por si só. E necessário que ele apareça acompanhado de uma análise criteriosa.

Mista - procura fundir várias formas de introdução. Veja como o exemplo dado em contestação traz também a introdução com perguntas. Vejamos um outro possível exemplo. Ex.: Crianças mortas em frente a Igreja da Candelária. Denúncias de meninas se prostituindo nas cidades e nos campos. Garotos vendendo balas nas esquinas. Não é possível imaginar o Brasil um país desenvolvido e com justiça social enquanto perdurar tão triste quadro.

Desenvolvimento

A parte substancial e decisória de uma redação é o seu desenvolvimento. É nela que o aluno tem a oportunidade de colocar um conteúdo razoável, lógico. Se o desenvolvimento da redação é sua parte mais importante, deverá ocupar o maior número de linhas. O desenvolvimento pode ter mais de um parágrafo, por isso cuidado para fazer uma parágrafo longo demais, além disso, é nesta parte que os argumentos deverão ser comprovados, ou por meio de citações, paráfrases, informações, dados, que serão as provas que seu argumento necessita.

Conclusão

Assim como a introdução, o fim deverá ocupar uma pequena parte do texto. Se a redação está planejada para trinta linhas, a parte da conclusão deve ter quatro a seis linhas. Na conclusão, nossas ideias propõem uma solução. O ponto de vista do escritor, apesar de ter aparecido nas outras partes, adquire maior destaque na conclusão. Se alguém introduz um assunto, desenvolve-o brilhantemente, mas não coloca uma conclusão: o leitor sentir-se-á perdido, estupefato. Evitar colocar “conclui-se que”, ou demonstrar de uma outra maneira que o texto está concluindo, pois todos sabem que o último parágrafo é a conclusão. Você pode iniciá-la com “diante do exposto”.

Observar!!!!!!!

· Mais diferente de mas – o “mais” é adição e o “mas” contradição. Exemplos: eu mais a Ana, fomos ao show (adição); não sei o que dizer, mas o que tenho certeza é a minha salvação.

· Números – até o número 11 utilizar por extenso, a partir do 12 o número.

· Repetição – não repetir palavras do título na 1ª linha da introdução, além disso, não repetir palavras na mesma linha, entre uma linha e outra.

· Número de parágrafos – você deve fazer no mínimo 3 parágrafos, mas o ideal é que você faça mais de 3, visto que você pode fazer mais de um parágrafo para o desenvolvimento.

· Número de linhas para cada parágrafo – não existe um número de linhas obrigatório para cada parágrafo, o que deve haver é um bom senso. Se a minha introdução obteve 6 linhas, eu devo fazer o outro parágrafo entre, 5,6 ou 7, sempre uma a mais ou a menos. Porém, se a minha introdução foi de 3 linhas, muito pequena, então o próximo deverá ser de no mínimo 4 linhas.

· Número de linhas da redação – o texto argumentativo tradicional tem no mínimo 20 e máximo de 30 linhas. Muitos vestibulares zeram a prova se tiver menos de 20 linhas. No caso de Enem, apenas retirarão ponto de estrutura de cada linha que faltar até completar as 20. O ideal é que você escreva entre 22 e 25 linhas.

· Uso de etc, isto é, digo – não deve utilizá-los. Ao usar uma “etc”, por exemplo, dará a impressão ao corretor de que você não tem mais o que falar. No caso de “isto é”, insegurança. O ideal é que você não os utilize.

· Intromissão – você não pode se colocar no texto, por isso não utilizar a 1ª pessoa do singular. Exs.: na minha opinião; eu; vi; digo; eu observo, etc.

· Erro – ao errar, passe apenas um traço em cima da palavra errada. Nada de utilizar S.E. (sem efeito) ou colocar entre parêntesis.


Um comentário:

  1. Vou ter que continuar estudando redação com a senhora por aqui, meu professor de redação no cursinho é tão fail.. i hate him!

    Saudades, Antonio Monteiro!

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