domingo, 4 de novembro de 2012

PROPOSTA DE PRODUÇÃO TEXTUAL (05 A 08 DE NOVEMBRO)

PROPOSTA DE PRODUÇÃO 1
TEMA 1: BRASIL, PAÍS DO FUTURO: UFANISMO OU COMPLEXO DE VIRA-LATA?
TEXTO 1

NEM MITO NEM REALIDADE
Nos dias que correm, não há como não nos lembrarmos de Stefan Zweig e de seu "Brasil – Um país do futuro", publicado em 1941. Como se sabe, Zweig, um judeu austríaco, conheceu o Rio de Janeiro em 1936 e voltou com a mulher quatro anos depois, fugindo dos nazistas e abandonando uma Europa envolvida em sangrenta guerra motivada em parte por ódios raciais. O país o fascinara desde o primeiro encontro. Sobretudo, causou-lhe forte impressão a imensa salada étnica que viu nas ruas do Rio de Janeiro.
Esse impacto inicial não esmoreceu até sua morte e a da mulher, em Petrópolis (RJ), em 1942. Ele refletiu-se com nitidez no apanhado que fez da história brasileira no primeiro capítulo do livro. Os fatos são tirados dos manuais conhecidos. Mas o viés da narrativa é o mesmo do livro do conde Affonso Celso, "Por Que Me Ufano do Meu País", publicado em 1900.
O povo brasileiro seria dotado de um caráter congênito em que sobressairiam a tolerância, sobretudo a racial, o es perito de conciliação, a tendência à solução pacífica dos conflitos internos e externos. A essas qualidades se acrescentava o dom de uma natureza rica e generosa. Com tais atributos, o Brasil estava, segundo ele,  destinado a apresentar ao mundo, sobre os escombros da Europa, um novo modelo de civilização. O Brasil era o país do futuro.
O livro de Zweig inscreve-se em longa tradição nacional que vem alternando, em termos extremados, visões negativas e positivas de nosso povo. Os que veem nele qualidades foram chamados de ufanistas, como Affonso Celso, ou, em linguagem popular, de "turma do oba-oba". Os que nele só enxergam mazelas foram estigmatizados por Nelson Rodrigues como vítimas do complexo de vira-lata.
Futebol e euforia
Criou-se um paradoxo e uma frustração: como é possível que, com uma terra dessas, não consigamos construir um grande país, uma grande potência, como fizeram os Estados Unidos? Numa terra radiosa, vive um povo triste, sentenciou Paulo Prado em "Retrato do Brasil". O título do livro de Zweig transformou-se em ironia: somos, e sempre seremos, o país do futuro. Houve de vez em quando em nossa história surtos de euforia. Para não ir longe, o mais óbvio, ainda vivo na memória de muitos, foi o dos "anos dourados" de Juscelino Kubitschek [1956-61]. Combinaram-se vários fatores positivos: a inspiração de um presidente democrático, altas taxas de crescimento, uma explosão de criatividade na literatura, no cinema, nas artes e, principalmente, uma taça Jules Rimet.
O que poderia ter sido o surto seguinte, nos anos 1970, com o alto crescimento, sonhos de Brasil grande potência e mais uma Copa do Mundo, foi abordado pela falta de liberdade. A seguir vieram longos anos de pessimismo, de vira-latismo.
Sem milagres
Desde o plano Real vêm sendo construídas as condições para um novo surto. Trabalho e sorte acabaram por fazer ressurgirem os ingredientes clássicos: uma liderança presidencial inspiradora, uma economia em ordem, embora não tão dinâmica, um presente da natureza no pré-sal, uma Copa do Mundo em 2014, Jogos Olímpicos em 2016.
Novos sonhos de Brasil grande, já adormecidos, renasceram na política externa. As condições internas e externas parecem mais favoráveis do que nunca para a decolagem. Há, no entanto, um grande inimigo da vitória sobre o vira-latismo: a invasão do oba-obismo. Nada está garantido. O crescimento econômico pode não deslanchar, a Copa e a Olimpíada podem fracassar, a abundância do petróleo pode transformar-se em maldição.
Apesar de todas as grandes melhoras recentes, o país continua sendo campeão de desigualdades, apresenta níveis vergonhosos de escolaridade, instituições pouco confiáveis, cidades dominadas pela violência, depredação da fantástica natureza.
Êxito mais duradouro desta vez dependerá de trabalho duro em todas as frentes reconhecidamente indispensáveis para a decolagem. Dependerá da ausência de oba-oba. Não haverá milagres. Nem pessimismo nem euforia levam a lugar nenhum. Melhor dito, levam apenas ao país do futuro. Não era certamente isso que Stefan Zweig pressagiava para nós. CARVALHO, José Murilo de. Folha de S. Paulo. São Paulo, 18 out. 2009, p. 4. Caderno Mais
TEXTO 2

CONSCIÊNCIA: O NOVO TREM DA HISTÓRIA
Fruto do trabalho hercúleo de todos os brasileiros, o país pós-redemocratização, ao se comprometer com os valores fundantes da democracia, da justiça e da equalização de oportunidades, promoveu e construiu um ambiente de maturidade e aperfeiçoamento da sociedade e de suas instituições. Consolidou a democracia e reconstruiu a economia. Criou uma nova história.
Credor do FMI, exportador de multinacionais, nova paixão do capital internacional, o Brasil, da Copa do Mundo, da Olimpíada, das megaproduções minerais, agrícolas e automobilísticas e potência petrolífera do pré-sal, confirma em gênero e grau que é abençoado por Deus e bonito por natureza.
O Brasil país do futuro tornou-se velozmente país do presente. Nasce, assim, um novo país, uma nova cultura, em- balada numa nova mentalidade.
Soerguidos pelos sentimentos de identidade e pertencimento, descobrimos um país só nosso, único e extraordinário. Um país que ginga, que cria, que se reinventa e surpreende. Um país que potencializa suas energias e, na luta e na raça, avança e supera mesmo os limites imponderados. Nasce, assim, uma nova realidade. Um novo e fulgurante trem da história chega à estação transbordante de possibilidades, carregado de oportunidades.
Essa é a nossa nova e grande chance de reconstruir a nação. De reforçar os fundamentos de unidade, de ampliar e aprofundar o sentimento de coesão, de autoestima. De corrigir os equívocos e injustiças do presente, de reparar as graves omissões do passado. Brasil, potência do presente, não terá futuro se insistir em ser gigante com pés de barro. Identidade e pertencimento são, assim, a síntese, a evidência e a apresentação acabada e esclarecedora do novo sentido do povo brasileiro. Sem identidade não existe igualdade. Sem identidade e pertencimento não existe Estado ou nação. Não existe país. Essa  é a nossa consciência que devolve o  Brasil ao seu leito natural.
Acordados de um sono profundo, podemos agora enxergar o mundo real e maravilhoso que sempre esteve diante de nós. Somos um país de homens e mulheres de muitas origens e de todos os matizes. Somos negros, brancos, verdes e amarelos. Somos diversos. Somos diferentes e nos sentimos felizes e orgulhosos de nossa identidade. Somos fortes e potência porque trabalhamos coletivamente para o progresso e a riqueza da nação. VICENTE, José. Disponível em: < www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2011200908.htm>. Acesso em: 30 mar. 2010.
TEXTO 3

POR QUE ME UFANO DO MEU PAÍS Capítulo: Resumo das grandezas do Brasil Affonso Celso (1900)
Ficou demonstrado que:
— O Brasil constitui um dos mais vastos países da terra, capaz de conter toda a população nela existente;
— Reúne imensas vantagens a essa grandeza territorial, quais a situação geográfica, a homogeneidade material e moral, o 
progresso constante;
— É belíssimo — encerrando maravilhas sem êmulas no universo, como o Amazonas, a cachoeira de Paulo Afonso, a floresta virgem, a baía do Rio de Janeiro;
— Possui riquezas incalculáveis, — tudo quanto de precioso se encontra no globo;
— Goza de perpétua primavera, sem jamais conhecer temperaturas extremas;
— Não sofre as calamidades que costumam afligir a humanidade: — vulcões, terremotos, ciclones, inundações, abundância de animais ferozes;
— Resulta a sua população da fusão de três dignas e valorosas raças;
— Bom, pacífico, ordeiro, serviçal, sensível, sem preconceitos, não deturpa o caráter desse povo nenhum vício que lhe seja peculiar, ou defeito insusceptível de correção;
— Nunca sofreu humilhações, nunca fez mal, nunca perdeu uma polegada do seu solo, nunca foi vencido, antes tem vencido poderosas nações;
— Sempre procedeu honesta e cavalheiros amente para com os outros povos, livrando, com absoluta abnegação, de odiosas tiranias seus vizinhos mais fracos;
— Cheio de curiosidades naturais, depara elevadas glórias a quem o estudar e amar;
— Na sua história, relacionada com os mais notáveis acontecimentos da espécie humana, escasseiam guerras civis e efusões de sangue, sobejando feitos heroicos, formosas legendas, preclaras figuras, luminosos exemplos;
— Primeiro país autônomo da América Latina, segundo do Novo Mundo, sempre manifestou espírito de independência, desfrutou liberdades desconhecidas em outras nações, mostrou-se apto para todas as melhorias, produziu representantes distintos em qualquer ramo da atividade social, resolveu com calma e sensatez, à luz do direito, a maior parte das suas  questões, acolheu carinhosamente quem quer que o procurasse, aumentou sem cessar.
— Nestas condições, o Brasil é um país privilegiado, reunindo elementos que lhe conferem primazia sobre todos os mais. Importa ingratidão para com a Providência invejar outras nações, não nutrir a ufania de ter nascido brasileiro. Foi belo o quinhão que nos coube. Outros povos apenas se avantajam ao nosso naquilo que a idade secular lhes conquistou. O Brasil poderá tornar-se o que eles são. Eles nunca serão o que é o Brasil. CELSO, Affonso. (versão para Book e books Brasil). Por  que me ufano do meu país. Fonte digital. Digitalização de edição em papel. Laemert & C. Livrei- ros-Editores, 1908
TEXTO 4

POR QUE ME UFANO DO MEU PAÍS
Não sou o Affonso Celso, embora nossos nomes se pareçam, mas hoje também posso dizer que me ufano do meu país. Meu ufanismo pode ser menos ingênuo como, dizem, era o daquele conde monarquista. Ainda assim, não deixa de ter sua dose de otimismo crédulo. Quem vem de longe, como dizia o saudoso Caudilho Brizola, sabe bem do que estou falando.
E não é apenas pela nossa recente conquista de 2016. Claro, estou super entusiasmado e patriótico, mas já vivi ou  - traz conquistas que não foram capazes de eliminar um sentimento de frustração. Eu estava em Brasília quando o Brasil ganhou o tricampeonato mundial de futebol. Participei como toda gente da festa na Asa Sul e ouvi a multidão cantar Eu te amo meu Brasil, hino de Don e Ravel, mas eu não cantei. Do mesmo modo que meus amigos da época, não compartilhei da alegria da ditadura. 
Também detestava o patropi do Simonal, que achávamos grotesco e hoje há quem tente reabilitar sua figura. Sei que agora a situação é diferente. Depois de anos de luta pela redemocratização do país e dos tempos melancólicos na Nova República, da era de privatização de FHC, tenho (temos) o que comemorar. É verdade que não chegamos ao paraíso. Quando vou para o trabalho aqui no centrão de Sampa, tropeço em todo tipo de destroços humanos: drogados, crianças dormindo na rua (não há marquises nem viadutos suficientes), camelôs, homens-sanduíche, prostitutas e prostitutos em vias públicas, enfim, o inferno na terra. Não tenho dúvida de que o bolsa-família é paliativo e que, além disso, não abarca o universo da miséria cruel. FERREIRA, Antônio Celso. Impertinências. Disponível em:  . Acesso em: 30 mar. 2010
TEXTO 5

AS RAÍZES DA CORRUPÇÃO
Segundo o último levantamento da Transparência Nacional, divulgado em novembro, o Brasil ocupa a 75ª posição no ranking  das nações mais corruptas do planeta. O país teve uma nota de 3,7 em uma escala que vai de zero (países mais corruptos) a 10 (países considerados pouco corruptos). Foram analisadas 180 nações. Em relação ao ano anterior, o Brasil melhorou cinco posições. A Transparência faz pesquisas com especialistas de cada país, que avaliam a presença da corrupção nas instituições públicas locais. Com base nessas avaliações, são dadas as notas a cada nação e monta-se um ranking. Segundo a ONG, os problemas do Brasil e da América Latina são instituições fracas, burocracia extrema, excesso de influência privada sobre o setor público e restrições à liberdade de imprensa. VEJA,  São Paulo, 9 nov. 2009,  p. 84-85
TEXTO 6

AQUARELA DO BRASIL
Brasil!
Meu Brasil brasileiro
Meu mulado inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos O Brasil, samba que dá Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! ―Pra mim! Pra mim, pra mim‖ Ah! abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Brasil ―Pra mim! Pra mim, pra mim" Deixa cantar de novo o trovador
A merencória luz da lua
Toda canção do meu amor
Quero ver a sá dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado
Brasil! Pra mim, pra mim, Brasil! Brasil!
Terra boa e gostosa Da morena sestrosa De olhar indiferente
O Brasil, samba que dá
bamboleio que faz gingar O Brasil, do meu amor Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim Oh, esse coqueiro que dá coco onde eu amarro a minha rede nas noites claras de luar
Brasil! Pra mim, pra mim, pra mim. Ah! e essas fontes murmurantes Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro Terra de samba e pandeiro Brasil! Pra mim, pra mim! Brasil! Brasil! Pra mim, Brasil! Brasil!
BARROSO, Ary. Aquarela do Brasil (ou Aquarela Brasileira). 1939. Odeon 11768A e 11768B
TEXTO 7

NEGRO DRAMA
Negro drama,
Entre o sucesso, e a lama, Dinheiro, problemas, Inveja, luxo, fama,
[...]
O drama da Cadeia e Favela, Túmulo, sangue,
Sirene, choros e velas, Passageiro do Brasil,
São Paulo,
agonia que sobrevivem,
Em meia zorra e covardias, Periferias, vielas e cortiços, Você deve tá pensando,
O que você tem a ver com isso,
Desde o início,
Por ouro e prata, Olha quem morre,
Então veja você quem mata, Recebe o mérito, a farda, Que pratica o mal,
me vê, Pobre, preso ou morto, Já é cultural,
Histórias, registros, Escritos,
Não é conto,
Nem fábula, Lenda ou mito.
RACIONAIS MC'S. Escolha o seu caminho, 1992. Grav. RDS. Faixa 5
TEXTO 8

O OUTRO BRASIL QUE VEM AÍ
Gilberto Freyre (1926) Eu ouço as vozes eu vejo as cores eu sinto os passos de outro Brasil que vem aí mais tropical mais fraternal mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados terá as cores das produções e dos trabalhos. Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças terão as cores das profissões e das regiões. As mulheres do Brasil em vez de cores boreais terão as cores variamente tropicais. Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil, todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco. Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil lenhador lavrador pescador vaqueiro marinheiro funileiro carpinteiro contanto que seja digno do governo do Brasil [...]
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 47. ed. São Paulo: Global, 2003. v-vi







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